Ela chegou dizendo que não se reconhecia mais. Sempre foi a pessoa animada da família, a que organizava os encontros, a que ria fácil. Havia meses, não sentia vontade de nada. Chorava sem motivo aparente. Se isolava. Achava que era “só a fase”, porque todo mundo dizia que o climatério mexia com o emocional.
Era mais do que a fase. Era depressão. E ela levou tempo demais para procurar ajuda, achando que aquilo ia passar sozinho.
O climatério mexe com o emocional, isso é real
A queda de estrogênio afeta diretamente neurotransmissores ligados ao humor, como a serotonina. Por isso é esperado que essa fase venha acompanhada de mais irritabilidade, oscilações emocionais e uma sensibilidade maior do que o habitual.
Isso é diferente de depressão. E a diferença importa.
Como diferenciar tristeza hormonal de depressão
A oscilação de humor típica do climatério costuma vir e ir, tem picos, mas também tem momentos de alívio. A depressão é mais persistente. Alguns sinais que indicam que não é “só hormonal”:
- Tristeza ou vazio que dura semanas seguidas, sem trégua
- Perda de interesse em coisas que antes davam prazer
- Alterações importantes de sono e apetite, para mais ou para menos
- Dificuldade de concentração que atrapalha o trabalho ou a rotina
- Sensação de culpa ou inutilidade fora de proporção
- Isolamento social, evitar pessoas e compromissos que antes eram bem-vindos
Quando esses sinais persistem por semanas e afetam a vida diária, não é mais só o climatério falando. É depressão, e depressão tem tratamento.
Por que é mais comum nessa fase
Mulheres têm risco aumentado de depressão durante a transição para a menopausa, mesmo sem histórico anterior do transtorno. A queda hormonal soma-se, muitas vezes, a outros pesos dessa fase da vida: filhos saindo de casa, pais envelhecendo, mudanças no corpo, questionamentos sobre identidade. É um momento de acúmulo.
O erro de esperar passar sozinho
Normalizar a tristeza como “coisa da idade” é um dos motivos pelos quais tantas mulheres demoram a buscar ajuda. Isso adia um tratamento que poderia ter começado meses antes, e prolonga um sofrimento que não precisa ser carregado sozinho.
O que fazer
Se a tristeza, o vazio ou a falta de vontade estão presentes há semanas e atrapalhando sua rotina, vale conversar tanto com um ginecologista especializado em climatério quanto, se necessário, com um psiquiatra ou psicólogo. O acompanhamento pode envolver terapia hormonal, suporte psicológico, ou os dois combinados, sempre olhando para o quadro completo, não só para os hormônios.
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