Ela contou, quase se desculpando, que já tinha perdido a conta de quantas noites acordava três, quatro vezes. Não eram os fogachos, ela fazia questão de dizer, porque já esperava por eles. Era outra coisa: o sono simplesmente não segurava. Ela dormia, acordava às 3h, e ficava ali, olhando pro teto, até o despertador tocar.
Ela achava que era ansiedade. Era, em parte. Mas a raiz era hormonal.
Por que o sono muda tanto nessa fase
O estrogênio e a progesterona têm um papel direto na qualidade do sono. A progesterona, em especial, tem um efeito calmante natural, ajuda o corpo a relaxar e manter o sono profundo. Quando ela cai, esse efeito vai embora junto.
Some a isso os fogachos noturnos, que interrompem o sono mesmo quando a mulher não percebe conscientemente, e a ansiedade que costuma aumentar nessa fase. O resultado é um sono mais leve, mais fragmentado, e uma sensação de cansaço que não sai nem depois de “dormir a noite toda”.
Os padrões mais comuns
- Dificuldade para pegar no sono, mesmo estando cansada
- Acordar no meio da noite e demorar para voltar a dormir
- Acordar muito cedo, antes do horário planejado, sem conseguir voltar a dormir
- Sono leve, que não parece descansar de verdade
- Cansaço durante o dia, mesmo com horas suficientes de cama
O que não ajuda
Compensar com cochilos longos durante o dia costuma piorar o padrão noturno. Álcool à noite também atrapalha, mesmo que dê a sensação de relaxar no começo, ele fragmenta o sono profundo mais tarde. E rolar no celular na cama, por mais óbvio que pareça, mantém o cérebro ativo justamente na hora que ele devia começar a desacelerar.
O que realmente ajuda
Tratar a causa costuma fazer mais diferença do que tratar só o sintoma. Se os fogachos noturnos estão por trás da insônia, cuidar deles já melhora boa parte do problema. Rotina de sono regular, luz natural pela manhã e atividade física ao longo do dia também ajudam o corpo a regular melhor o próprio ritmo.
Em alguns casos, a terapia hormonal, bem indicada e acompanhada, resolve o problema na raiz, porque devolve ao corpo o que ele parou de produzir.
O que fazer
Se você não dorme direito há meses e associa isso só ao estresse, vale investigar a fundo com um ginecologista especializado em climatério. Existe uma diferença entre “está na fase de dormir mal” e “isso tem tratamento”, e a segunda é a realidade mais comum.
Você também tem essa sensação de dormir e não descansar? Siga o Dr. Ricardo Ferraz no Instagram @dr_ricardoferraz.



