Ela achava que doença cardíaca era coisa de homem. O pai, o tio, o marido — todos tinham histórico. Ela, não. Fazia exames de rotina, mantinha o peso estável, comia bem. Não fazia ideia de que o colesterol tinha subido dez pontos no último ano, sem mudar nada na rotina.
Isso não foi coincidência. Foi biologia.
Por que o risco muda de patamar
Doença cardiovascular é, hoje, a principal causa de morte entre mulheres — à frente de todos os tipos de câncer combinados. Ainda assim, segue tratada como “problema de homem”. Essa desconexão atrasa prevenção e atrasa diagnóstico.
Até a menopausa, a mulher tem risco cardiovascular menor do que o homem da mesma idade. Depois, essa vantagem se estreita ano a ano. Em cerca de uma década, o risco se aproxima do risco masculino equivalente.
O que o estrogênio fazia pelo seu coração
O estrogênio protegia o coração em vários pontos ao mesmo tempo: mantinha os vasos mais elásticos, favorecia um perfil de colesterol melhor — HDL alto, LDL baixo —, agia como antioxidante e anti-inflamatório na parede dos vasos, e ajudava a regular a pressão arterial.
Com a queda hormonal, esses quatro mecanismos enfraquecem juntos. Não aos poucos ao longo da vida. Num intervalo curto, ao redor da menopausa.
Um infarto que não parece infarto
O infarto clássico — dor forte no peito, braço esquerdo dormente — foi desenhado com base em sintomas masculinos. Em mulheres, o quadro costuma ser mais discreto: um aperto leve no peito, dor na mandíbula, no pescoço ou nas costas, fadiga intensa e incomum por dias, falta de ar e suor frio sem dor evidente.
Fadiga fora do padrão associada a suor frio ou náusea merece avaliação médica imediata. Não é só cansaço.
Seu coração te trouxe até aqui. Merece a mesma atenção estratégica que você já dá ao resto do corpo nesta fase.
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