Ela caiu de bicicleta, um tombo bobo, quase nada. Saiu com o pulso quebrado. Tinha 52 anos, nunca tinha sentido nada nos ossos — nenhuma dor, nenhum aviso. O exame que fez depois do acidente mostrou o que vinha acontecendo em silêncio havia anos.
O osso não avisa antes de quebrar.
Por que a perda óssea passa despercebida
Ela não dói. Não aparece no espelho. Não interrompe o sono. Por isso costuma ser o último item na lista de preocupações de quem já está lidando com fogachos, sono ruim e humor instável.
Nos primeiros cinco a sete anos após a menopausa, você pode perder entre 10% e 20% da densidade óssea total — uma velocidade de perda maior do que em qualquer outra fase da vida adulta.
O freio que se solta
O osso está em constante renovação: osteoblastos constroem, osteoclastos reabsorvem. O estrogênio funciona como um freio natural sobre os osteoclastos. Quando os níveis caem na menopausa, esse freio se solta — os osteoclastos passam a trabalhar mais rápido do que os osteoblastos conseguem acompanhar, e o resultado é perda líquida de massa óssea.
O que você controla — e o que não controla
Idade, histórico familiar, etnia, estrutura corporal magra e menopausa precoce você não controla. Ingestão de cálcio e vitamina D, sedentarismo, tabagismo, álcool e uso prolongado de certos medicamentos, sim.
Ter fatores de risco que você não controla não torna a prevenção inútil. Torna os fatores que você controla ainda mais decisivos.
O osso trabalha em silêncio a vida inteira. Cuidar dele antes do primeiro sintoma é a definição exata de prevenção.
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